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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

PRAGA, PRAGA, PRAGA.

Ezra sempre gostou de ser filho único, nunca desejou ter irmãos. Até que então, quando completou sete anos de idade, seus pais o presentearam com a notícia:  
- Ezra, querido, você vai ter um irmãozinho.
O menino claramente não gostou do que ouviu. Saiu em fúria para o seu quarto, como se estivesse em um frenesi de raiva. Mesmo seus pais conversando e tentando explicar que o amariam da mesma forma, ele não cedeu, permaneceu-se rebelde e isolado em seu quarto por longos nove meses. Seus pais desolados com a crise do agora, filho mais velho, optaram por não avisarem quando saíram as pressas  para o hospital, com suspeita de que a bolsa havia estourado.
O bebê havia nascido, o pouco de cabelos que possuía, eram loiros e distribuídos de  maneira  uniforme pela sua pequena cabecinha. Recebeu o nome de Joshua.  
Horas depois, quando retornaram para casa, chamaram Ezra para conhecer seu irmãozinho. Imaginavam que sua crise de ciúmes terminaria ao ver o bebê, mas enganaram-se profundamente. Pois Ezra, ao vê - lo,  deixou que subisse em seu corpo um misto de ódio e desprezo e uma dose altíssima de ciúmes. Surtou. Seus pais não conseguiram acalma-lo e por fim foram derrotados pelo cansaço. Deixaram que Ezra e Joshua crescessem sem o amor de irmão, na esperança que talvez um dia, poderiam se entender. Sozinho em seu quarto, Ezra pensava em diversas forma para exterminar o bebê, como não pode realizar nenhuma, bastou em apelidar o irmão maldosamente de: Praga. Passaram-se dias e Ezra não o chamava por outro nome, exceto na frente dos seus pais. Praga, praga, praga.
Havia -se passado então, três anos. Joshua continuou com seu encanto porém,  agora um pouco levado e desobediente. Falava pouco, mas já caminhava pela casa. Certa vez, ele entrou sorrateiramente  no quarto de Ezra, como toda criança feliz, ficou mexendo em coisas  aleatórias de seu irmão que eram aparentemente interessante para ele. Até que o garoto encontrou um estranho objeto esférico, feitos de vidros de cores vermelhas. Ezra tinha herdado o globo de seu falecido avô espírita, que enchia o garoto de assuntos como: espiritismo e aparições. Joshua seguia fascinado brincando com o objeto estranho, até que assustou-se com um grito que viera da porta do quarto, e no reflexo deixou cair o delicado globo, que se quebrou  e se dividiu em diversos pequenos pedaços daquele estranho vidro vermelho. Saiu de dentro do globo, uma pequena nuvem de fumaça porém, tão negra quanto um céu nublado.
- Sua praga, eu te odeio, sai do meu quarto, sua praga nojenta, sai daqui. Praga, praga, praga... - repetiu inúmeras vezes Ezra quando viu seu objeto quebrado ao chão. Joshua tentou mas seus olhos foram fisgados pelos olhos furioso de seu irmão. Era uma criança de três anos de idade, inocente. Chorou logo que Ezra se aproximou.
- Olha o que você fez, sua praga, praga, praga. - Ezra gritava e gritava. Seus pais apareceram no quarto e encontraram Ezra sentado em sua cama, e Joshua chorando em cima dos cacos que sobrou do globo. Imediatamente sua mãe o pegou e o colocou em seu colo. O pai deu uma incrível bronca em Ezra, pois até então pensava que Joshua havia se cortado. Mas felizmente nada de grave aconteceu.
Depois de horas, a raiva de Ezra havia sumido parcialmente, quando notou que o objeto quebrado não era de tanta importância assim. Quando anoiteceu, ele estava prestes a dormir quando a porta de seu quarto recebe três batidas. Ele levantou lentamente de sua cama e a abriu cuidadosamente. Surpreendentemente não havia ninguém a sua frente, perplexo e sonolento ele volta para o aconchego de seus lençóis. Novamente, três simples batida na porta de madeira, e ele quase que inconsciente, gritou:
- Entra!
As batidas cessaram no mesmo instante, Ezra não se importou e fechou seus olhos e apenas via uma película negra perante sua visão. Alguns instantes após adormecer, ele acorda de súbito, com o  coração acelerado. Na escuridão do seu quarto, com apenas o pequeno feixe de luz que passava entre as cortinas de sua janela, a porta se abre: Era Joshua. Ezra assustou-se. Tentou, mas não conseguia se mexer e nem falar. Joshua veio em sua direção de cabeça baixa, olhando fixamente para o chão, parecia ser uma marionete das sombras que estavam logo na linha de entrada da porta do quarto. Quando Joshua aproximou-se de sua cama, pode perceber que não era ele. Os olhos pareciam feitos do globo vermelho que fora quebrado naquela manhã, e então Joshua solta suas palavras, perguntando:
- Me chamou?
Ezra paralisou-se com aquilo. Estava tomado por medo e angústia.
-  Desde quando você sabe falar? Não, eu não lhe chamei aqui. - Disse quase deixando seu coração sair pela boca.
- Ah maninho. Tem certeza? Gritaste a palavra  "praga" diante dos espíritos antigos hoje pela manhã. Agora aqui estou eu, para lhe buscar e leva-lo comigo. No mesmo momento, o que parecia ser Joshua, transforma-se em uma criatura horripilante. Asas, chifres e olhos vermelhos. Ezra não conseguia falar, apenas chorava e gritava.
Então a criatura, friamente o atacou. Levando consigo: o corpo, a alma e a existência de Ezra.

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